<claramenteasperger.blogs.sapo.pt/ rel="icon" href="upimagens.com/di/G7ET/favicon-16.png">" type="image/x-icon" />

Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Claramente ASPERGER!

DESGASTE EMOCIONAL

IMG_6233.JPG

 

A semana passada, tive que ir de urgência ter com o meu pai a Inglaterra. 

 
Sem tempo para me preparar mentalmente, fui procurar voos para o dia seguinte. Os voos diretos estavam esgotados e os voos com ligação eram poucos, caríssimos e demoravam horas e horas a chegar ao destino... Um perfeito desespero!   
 
Os meus irmãos estavam ansiosos por saber se eu sempre iria. Uma das minhas irmãs também queria ir, mas não tinha a certeza se podia. Tinha que pensar como ficariam as minhas filhas e tinha que decidir... Decidir qual voo apanhar e decidir como iria do aeroporto até à cidade onde o pai vive.
 
A forma como o meu corpo resolveu lidar com toda aquela ansiedade, foi apagar!
De um momento para o outro cheguei ao meu limite, simplesmente não conseguia decidir nada!
Desliguei o telemóvel, o computador, pus uma almofada em cima da cabeça, pedi para ninguém falar comigo e adormeci. 
 
No dia seguinte acordei muito cedo!
Falei com a minha irmã, comprámos as passagens e à meia-noite estávamos no hospital a dar um enorme e reconfortante abraço ao pai... CONSEGUIMOS!!!!
 

IMG_6236.PNG

 
O pai foi operado no dia seguinte e a operação correu lindamente!
2 dias depois a minha irmã precisou de regressar a Portugal, mas eu fiquei. O pai ainda não estava livre de perigo e era impossível deixá-lo sem o ver bem!
 
No momento em que a minha irmã me disse que viria comigo, deleguei nela as decisões que não estava a conseguir tomar... Foi ela que comprou as passagens e foi ela que decidiu como iríamos ter com o pai.  
 
Quando acordei, já sem a minha irmã comigo, realizei que teria de fazer tudo sozinha.
A ansiedade apoderou-se de mim!
 
O primeiro desafio foi... Sair do quarto!
 
O pai vive com mais duas pessoas e eu não estava mentalizada para falar nem para lidar com elas.
Foram 2 horas de mentalização em que só pensava...
NÃO QUERO FALAR COM NINGUÉM!!!
NÃO QUERO ESTAR COM NINGUÉM!!!!
COMO É QUE VOU FAZER ISTO? COMO??
 
Eu sei que sou adulta, mas às vezes sinto-me uma verdadeira criança!
 
Ganhei coragem, saí do quarto e fui para o hospital.  
 
Durante os 3 dias seguintes, não parei um minuto para pensar. 
Tive o máximo tempo possível com o pai. Falei com médicos e enfermeiros, conheci alguns amigos do meu pai, tive um enorme apoio de um deles, e não voltei a ter ataques de ansiedade. 
Ao fim desses 3 dias percebi que já poderia voltar para Portugal.
O pai estava a ter uma recuperação fantástica e os amigos eram um suporte que me deixavam vir embora tranquila. Sabia que iriam dar-lhe todo o apoio que precisava e, mais importante que tudo, estava livre de perigo! 
 
Na viagem de regresso voltei a apagar... Dormi muito! 
 
No dia seguinte a ter chegado, chorei um pouco!
Não conseguia estar ao telemóvel, ouvir barulhos ou estar com pessoas, tirando as miúdas e o João. 
Não era capaz de receber qualquer tipo de informação extra.
Tudo era sentido como agressão!
 
Saí de Lisboa durante uma semana. A minha cabeça teve rapidamente que se adaptar a uma nova realidade. 
Deixei tudo, fui para outro país e contactei com imensas pessoas que não conhecia. Ao mesmo tempo o meu pai passava por uma situação bastante grave e só a fé me garantia que ia correr tudo bem!
 

IMG_6238.JPG

 

Todos os dias eram uma incógnita! 
Como está o pai? A recuperação está a ser boa? Quando saí do hospital?
Todos os dias as miúdas perguntavam - Quando é que a mãe volta?
 
Comprei o bilhete de regresso de um dia para o outro e nesse momento a minha tolerância deixou de ter escudo protetor. O inglês começou a irritar-me, não queria falar com ninguém e até a própria cidade deixou de me agradar. 
 
Neste momento sei que preciso de tempo para me reequilibrar! 
A ansiedade anda por aqui e à mínima coisa, dispara. As lágrimas querem sair, mas estão presas. 
Não me sinto irritada, mas sinto que não tenho espaço para nada e estou à beira de explodir. 
Não quero estar com ninguém. Não tenho capacidade para conversas. Ando na rua com a cabeça para baixo. E só me sinto bem em casa. 
 
Não sei ao certo quanto tempo vai demorar este estado de ansiedade e sofrimento em que me encontro.
Excesso de informação, mudança na rotina, decisões repentinas, sair da minha zona de conforto! Tudo coisas com as quais fui confrontada e com as quais tenho bastante dificuldade em lidar.
Muitas pessoas isolam-se até voltar a ser suportável interagir e receber estímulos externos.
Eu tenho de continuar com a minha vida de trabalho e familiar. Não é possível parar e fechar-me, mas preciso de me proteger e ir arranjando momentos meus e de isolamento para não cair no abismo! 
 
Apesar de tentar ser sempre muito racional, talvez com medo de sentir demasiado e do sofrimento que isso poderá gerar, por vezes deixo-me levar pelas emoções! 
Algumas emoções doem, geram ansiedade, sofrimento, confusão... Mas também me fazem viver!
 
Racionalmente não teria ido ter com o meu pai porque sabia que iria correr tudo bem!
Emocionalmente fui ter com um dos maiores amores da minha vida e estar a seu lado num momento tão complicado... Mesmo sabendo que o custo emocional seria elevado!
 
 
 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

FACEBOOK DO BLOG

UM POUCO SOBRE MIM

Posts destacados

O MEU MAIL

ritaspcnolasco@gmail.com

ENDEREÇO DE E-MAIL

DEIXAR CONTACTO

Não esquecer de deixar o seu contacto ao enviar uma mensagem. Obrigada!

Mensagens

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D