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Claramente ASPERGER!

DESGASTE EMOCIONAL

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A semana passada, tive que ir de urgência ter com o meu pai a Inglaterra. 

 
Sem tempo para me preparar mentalmente, fui procurar voos para o dia seguinte. Os voos diretos estavam esgotados e os voos com ligação eram poucos, caríssimos e demoravam horas e horas a chegar ao destino... Um perfeito desespero!   
 
Os meus irmãos estavam ansiosos por saber se eu sempre iria. Uma das minhas irmãs também queria ir, mas não tinha a certeza se podia. Tinha que pensar como ficariam as minhas filhas e tinha que decidir... Decidir qual voo apanhar e decidir como iria do aeroporto até à cidade onde o pai vive.
 
A forma como o meu corpo resolveu lidar com toda aquela ansiedade, foi apagar!
De um momento para o outro cheguei ao meu limite, simplesmente não conseguia decidir nada!
Desliguei o telemóvel, o computador, pus uma almofada em cima da cabeça, pedi para ninguém falar comigo e adormeci. 
 
No dia seguinte acordei muito cedo!
Falei com a minha irmã, comprámos as passagens e à meia-noite estávamos no hospital a dar um enorme e reconfortante abraço ao pai... CONSEGUIMOS!!!!
 

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O pai foi operado no dia seguinte e a operação correu lindamente!
2 dias depois a minha irmã precisou de regressar a Portugal, mas eu fiquei. O pai ainda não estava livre de perigo e era impossível deixá-lo sem o ver bem!
 
No momento em que a minha irmã me disse que viria comigo, deleguei nela as decisões que não estava a conseguir tomar... Foi ela que comprou as passagens e foi ela que decidiu como iríamos ter com o pai.  
 
Quando acordei, já sem a minha irmã comigo, realizei que teria de fazer tudo sozinha.
A ansiedade apoderou-se de mim!
 
O primeiro desafio foi... Sair do quarto!
 
O pai vive com mais duas pessoas e eu não estava mentalizada para falar nem para lidar com elas.
Foram 2 horas de mentalização em que só pensava...
NÃO QUERO FALAR COM NINGUÉM!!!
NÃO QUERO ESTAR COM NINGUÉM!!!!
COMO É QUE VOU FAZER ISTO? COMO??
 
Eu sei que sou adulta, mas às vezes sinto-me uma verdadeira criança!
 
Ganhei coragem, saí do quarto e fui para o hospital.  
 
Durante os 3 dias seguintes, não parei um minuto para pensar. 
Tive o máximo tempo possível com o pai. Falei com médicos e enfermeiros, conheci alguns amigos do meu pai, tive um enorme apoio de um deles, e não voltei a ter ataques de ansiedade. 
Ao fim desses 3 dias percebi que já poderia voltar para Portugal.
O pai estava a ter uma recuperação fantástica e os amigos eram um suporte que me deixavam vir embora tranquila. Sabia que iriam dar-lhe todo o apoio que precisava e, mais importante que tudo, estava livre de perigo! 
 
Na viagem de regresso voltei a apagar... Dormi muito! 
 
No dia seguinte a ter chegado, chorei um pouco!
Não conseguia estar ao telemóvel, ouvir barulhos ou estar com pessoas, tirando as miúdas e o João. 
Não era capaz de receber qualquer tipo de informação extra.
Tudo era sentido como agressão!
 
Saí de Lisboa durante uma semana. A minha cabeça teve rapidamente que se adaptar a uma nova realidade. 
Deixei tudo, fui para outro país e contactei com imensas pessoas que não conhecia. Ao mesmo tempo o meu pai passava por uma situação bastante grave e só a fé me garantia que ia correr tudo bem!
 

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Todos os dias eram uma incógnita! 
Como está o pai? A recuperação está a ser boa? Quando saí do hospital?
Todos os dias as miúdas perguntavam - Quando é que a mãe volta?
 
Comprei o bilhete de regresso de um dia para o outro e nesse momento a minha tolerância deixou de ter escudo protetor. O inglês começou a irritar-me, não queria falar com ninguém e até a própria cidade deixou de me agradar. 
 
Neste momento sei que preciso de tempo para me reequilibrar! 
A ansiedade anda por aqui e à mínima coisa, dispara. As lágrimas querem sair, mas estão presas. 
Não me sinto irritada, mas sinto que não tenho espaço para nada e estou à beira de explodir. 
Não quero estar com ninguém. Não tenho capacidade para conversas. Ando na rua com a cabeça para baixo. E só me sinto bem em casa. 
 
Não sei ao certo quanto tempo vai demorar este estado de ansiedade e sofrimento em que me encontro.
Excesso de informação, mudança na rotina, decisões repentinas, sair da minha zona de conforto! Tudo coisas com as quais fui confrontada e com as quais tenho bastante dificuldade em lidar.
Muitas pessoas isolam-se até voltar a ser suportável interagir e receber estímulos externos.
Eu tenho de continuar com a minha vida de trabalho e familiar. Não é possível parar e fechar-me, mas preciso de me proteger e ir arranjando momentos meus e de isolamento para não cair no abismo! 
 
Apesar de tentar ser sempre muito racional, talvez com medo de sentir demasiado e do sofrimento que isso poderá gerar, por vezes deixo-me levar pelas emoções! 
Algumas emoções doem, geram ansiedade, sofrimento, confusão... Mas também me fazem viver!
 
Racionalmente não teria ido ter com o meu pai porque sabia que iria correr tudo bem!
Emocionalmente fui ter com um dos maiores amores da minha vida e estar a seu lado num momento tão complicado... Mesmo sabendo que o custo emocional seria elevado!
 
 
 

PRÍNCIPE ENCANTADO

Sempre fui muito Maria Rapaz!

Contos de fadas e histórias de princesas não me diziam nada!
 
Detestava cor-de-rosa, vestidos e brilhantes.
Gostava de bolas, calças e a minha cor favorita era o azul. 
 
Quando entrei na adolescência continuei no mesmo registo, ou seja, nunca fui uma princesa.
No entanto passei a sonhar, quer estivesse a dormir ou acordada, com o meu Príncipe Encantado!
 
Sabia que ele existia e que um dia nos iríamos encontrar. Só não sabia quando!
 

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Imaginava-o! 
Imaginava como seria a sua cara, mas sempre sem sucesso!
E imaginava como ele seria, mas isso já sabia! Um Príncipe Encantado é... Um Príncipe Encantado!
Obviamente que o seu objetivo de vida é amar, proteger e viver para a sua amada!
 
Nunca gostei de histórias de princesas. As princesas eram pirosas e tontinhas.
Mas passei a adolescência à espera de acordar com o beijo do meu Príncipe!

NUNCA TIVE UMA MELHOR AMIGA!

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Não estou a ser completamente verdadeira quando digo... Nunca tive uma melhor amiga!

 

Até aos 11 anos fui tendo melhores amigas. Mas como estava sempre a mudar de escola e de casa, não foram amizades que tenham durado.

 

Lembro-me muito bem da minha última melhor amiga, a Susana, e sei perfeitamente porque deixámos de o ser.

Não mudei de escola, nem de casa, mas mudámos nós!
As conversas, os interesses, os grupinhos. Tudo muda quando começamos a chegar à adolescência. 
Não consegui acompanhar essa mudança!
Continuava a gostar de jogar à apanhada e às escondidas. Gostava muito de jogar à bola e de fazer corridas.
Não tinha paciência para assuntos de raparigas... Maquiagem, moda e outros assuntos.
Passava-me tudo ao lado!
Não compreendia as conversas e também, confesso, muitas vezes não me interessavam.
 
Passei a ser espetadora!
Não interagia, porque não tinha nada para dizer!
Não interagia, porque tinha vergonha de dizer disparates!
Não interagia, porque tudo o que poderia dizer, não tinha interesse de se partilhado! 
Foi por estas razões que, na pré-adolescência, perdi a minha melhor amiga.
 
Tenho 42 anos e nunca mais voltei a ter uma melhor amiga!
 
 
 
 

Claramente ASPERGER! Pessoalíssimo

 

HÁ PSIQUIATRAS E PSIQUIATRAS!

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O MEU PSIQUIATRA É O MELHOR DO MUNDO E ARREDORES!
 
Pode haver tão bons como ele, mas melhor... não acredito! 
 
Hoje sinto-me à vontade para escrever este post. Um ano depois de começar as consultas, foi o meu último dia de acompanhamento. 
 
Não foi o primeiro psiquiatra com que contactei, já tinha estado com outros. 
Todos pela mesma razão. Todos neste tempo de autoconhecimento profundo que me levou a crises de ansiedade e de obsessão que me atiraram para um mundo que não conhecia e no qual, nunca imaginei entrar. 
 
 
 
 

Claramente ASPERGER! Pessoalíssimo

 

REFLEXÕES DE UM AUTISTA

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Há uns dias recebi uma mensagem:
 
- Oi Rita tudo bem?(...)
Sou autor de dois livros sobre autismo e gostaria de enviá-los a você!
Victor Mendonça
 
Uauuu, pensei!...
 
 
 

URGENTE... MENSAGENS

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Recebi uma série de mensagens que adoraria responder, mas que, infelizmente, não consigo!

Para responder precisava que na mensagem que me enviaram tivessem incluído um contacto.

 

 

PAIXÃO

Amo de Paixão a minha Família!
 

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Sou apaixonada pelo João!
Sou apaixonada pelas minhas filhas!
Sou apaixonada pelo meu pai e pela minha mãe!
Sou apaixonada pelas minhas irmãs, irmãos, sobrinhas e sobrinhos!
Sou apaixonada por algumas das minhas amigas e amigos!
Sou apaixonada por algumas das minhas amigas e amigos que nem conheço!
Sou apaixonada!
 
 
Claramente ASPERGER! Pessoalíssimo
 

SALTO DE FÉ

2016 foi o ano em que dei o meu primeiro SALTO DE FÉ!
 
Não me atirei como quem se atira de um avião para momentos de loucura ou prazer numa queda livre até o paraquedas se abrir.
Não!
Atirei-me para o desconhecido com medo e pouca confiança.
Atirei-me com fé. Não em mim, mas em quem me tinha feito ver que era o momento de avançar. 
 
Nunca tinha ouvido falar em... Salto de Fé!
 
Como sou um pouco literal e com pensamento completamente visual, vi:
 
Um precipício. Nuvens que não deixavam ver o chão. Eu. 
Só eu. 
Sem proteções. Sem paraquedas... Eu!
 
 
 
A luz e a energia que estou a sentir é tão forte, tão positiva, tão cheia de amor, que me faz acreditar que o caminho é este.
 

 
Este Salto de Fé foi dado com um objetivo. Já recebi muito mais!
O coração está, praticamente, aberto e tenho uma certeza:
Não vou precisar de colchão!
 
Vou chegar ao chão, porque é assim que acaba o meu Salto. No chão!
A luz, a energia que me envolve neste momento, fruto do imenso amor que aprendi a receber, está a amparar a queda!   
 
É muito bom ser gostada... ser amada... que digam bem de nós!
É muito gostar... amar... e saber dizer bem dos outros!
 
Estou a aprender a viver sem medo de sofrer. Sem mágoas. 
Estou a aprender a viver em verdade em relação a mim própria. Sem máscaras!
 
"Eu estarei lá!"
Tu não sei... Eu estarei de certeza!
 

NÃO ESTÁ A SER EM VÃO!

LINDO!... LINDO!

 

Estou tão feliz!!!

O esforço, a entrega, o tempo que dedico a este projeto não está a ser em vão!


Tinha e tenho um primeiro objetivo com tudo o que estou a fazer à volta do Autismo...

 

Ser uma presença para quem não sabe mais o que fazer. Para quem se sente sozinho/a ou abandonado/a. Para quem precisa de desabafar.
Quero dar aquilo que não tive, que não encontrei mas que precisei desesperadamente.

 

No outro dia recebi uma mensagem da Mónica Leite.

Não a conhecia... Nunca falámos.


Depois de ler a mensagem, tive de a voltar a ler.

 

 

 

Claramente ASPERGER! Pessoalíssimo

 

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OBRIGADA POR FAZEREM PARTE!

OBRIGADA POR FAZEREM PARTE!

Nunca pensei o alcance que poderia ter...
Muito obrigada!

Comecei a página Aspie PT Woman, no Facebook, dia 1 de maio deste ano sem qualquer tipo de estratégia.

 

Eu, Rita Nolasco, não sou terapeuta, nem psicóloga, nem psiquiatra, nem uma cara conhecida.

Eu, Rita Nolasco, decidi fazer uma página sobre o tema: Síndrome de Asperger (SA), Perturbação do Espetro do Autismo (PEA).

 

 

Queria passar a palavra. Queria partilhar experiências e conhecimento que adquiri ao longo de um intenso ano. 

 

Não tinha estratégia, mas tinha um objetivo e entreguei-me de corpo, alma e coração para o alcançar.

22 de fevereiro de 2016

Este dia foi a razão de ser da página.

Se este dia não tivesse sido o que foi, não sei dizer se alguma vez teria tido a coragem de enveredar por este caminho.

 

 

 

Claramente ASPERGER! Pessoalíssimo

 

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DESCUBRA AS DIFERENÇAS

 

BATI... BATI... BATI COM A CABEÇA!

Bati com a cabeça. Bati! Bati! Bati!

Não tenho orgulho nem deixo de ter no que fiz.
Não me vou justificar, não me vou martirizar, mas também não me vou culpar por tê-lo feito.

 

 

Não bati com a cabeça por ter descoberto ser Asperger...
Mas talvez tenha batido com a cabeça por ter descoberto que sou Asperger.

Tudo se interliga. Tudo pertence à mesma teia de emoções.

Sempre soube que era um pouco obsessiva e ansiosa. Condições que cresceram comigo e com os quais aprendi a lidar.

Quando descobri ser Autista estas perturbações ganharam proporções tremendas.
A obsessão tornou-se uma constante e juntamente com a ansiedade fizeram-me atingir picos de um sofrimento atroz.

 

CATIVAR

Num destes dias, numa das imensas mensagens que envio por dia para que o máximo de pessoas conheça a página Aspie PT Woman no FB, o João, uma dessas muitas pessoas a quem enviei a mensagem, respondeu:
 
- Já sigo a página à algum tempo. Tens algum caso de Autismo na família? 
 
- Segues a página mas não lês os posts? - Respondi
 
- Hoje em dia todos nós temos excesso de informação, vivemos super estimulados - diz.- É impossível ler tudo, seguir tudo o que nos propõem...  É nestes contactos mais personalizados que se dá a ignição do interesse em perceber mais.
 
- Lê pelo menos um post e depois diz-me alguma coisa - respondo.- Ficava muito feliz que o fizesses!
 
- Não te estava a pedir para contares tudo - continuou o João - mas para partilhar alguma info que me despertaria naturalmente o interesse para depois ir procurar o contexto. 
Como o Principezinho...  Se me cativares tornas-te responsável por mim...
 
Continuei a insistir
 
- Ponho tudo de mim naqueles posts e depois deixo de ter força para escrever mais sobre o assunto, daí estar a pedir-te para ires ler. 
 
Alguns minutos depois recebo mais uma mensagem...
 
- São muito intensos e muito autênticos. Tornaste-te responsável por mim. 
Cativaste-me menina... ! Estou feliz. 
 
Fiquei de lágrimas nos olhos... Soube-me tão bem esta conversa. Preencheu-me!
Depois senti o peso da responsabilidade. 
CATIVASTE-ME!! 
 
Faz como o Principezinho. Se me cativares tornas-te responsável por mim...
 

 

 

CARTA ABERTA A UMA AMIGA

 

Já passaram sete meses!


Hoje vi-te. O nosso olhar cruzou-se num milésimo de segundo e continuámos como se nada fosse!
Como se nada fosse... Impossível!
Quando te vi o meu coração parou! Tenho tanta dificuldade em fingir. Fingir indiferença, fingir não querer saber.

 

 

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